“Barangas assalariadas piram.”

Na internet, é muito comum responder críticas dizendo que a pessoa que argumentou é uma “recalcada”. Nenhuma relação com a psicanálise. Significa apenas que a pessoa está morrendo de inveja do sucesso alheio, por isso questiona. Por puro despeito.

“Beijo no ombro”, “chora recalque” e outras variáveis são muito comuns, eu mesma já recebi várias vezes.

Mas “recalcada”, caros leitores, é coisa do passado.

A mais nova tendência em termos de resposta à oposição, que confesso que me surpreendeu muito, é dizer que a pessoa… É assalariada.

Assalariada

(observação: não encontrei nenhuma blogueira fitness na lista de embaixadores da ONU…)

Sim.

Por alguma razão que não alcanço, ter um emprego e receber salário por ele, é uma situação de vida da qual você deveria se envergonhar.

A ideia toda mistura com a questão “magra” e “rica” e o resultado desse combo de valores humanos é: somos fãs de determinada blogueira fitness porque ela é

- magra,
– rica,
– sobrevive de jabá na internet.

Esse conjunto de motivos para admirar alguém reflete uma inversão de valores tão grande que me lembrou a Casa do Louco, do já extinto Parque da Mônica, onde tudo era ao contrário.

É como se tivéssemos chacoalhado a sociedade toda da mesma maneira que se faz com dados numa latinha, agora tudo está absolutamente desordenado e caótico… e ter um emprego é um troço ridículo.

Eu lembro de quando eu era criança, e virtudes importavam. E nos ensinavam a importância de sermos educados, honestos, generosos, leais, humildes, caridosos, tolerantes…

Mas pra quê isso?! Por que uma pessoa magra & definida precisaria se preocupar com essas ninharias? Qualidades que nem se vêem? Não tem como tirar foto da bondade! Como postar maturidade, temperança e sabedoria no Insta? Não dá!

A superficialidade está corroendo a alma das pessoas. Estamos absolutamente imersos em preconceito, lipofobia, intolerância e superficialidade.

Vale a pena celebrar dinheiro e estética como princípio de vida? Coisas tão transitórias e que só reforçam o status quo que exclui e maltrata as pessoas que são marginalizadas porque não têm as características “desejáveis”?

Me recuso.

Pode até ser tremendamente clichê, mas prefiro optar pelo segredo do pequeno príncipe:

pp

Mulheres do Brasil, não fiquem praticando o esporte de chamar umas às outras de “barangas”, “flácidas”, “gordas” etc. Não vale a pena competir para determinar quem é a mais bonita, dentro do critério “magreza”. Todas temos celulites, estrias, imperfeições. São características orgânicas e femininas que não fazem de ninguém uma derrotada. Sororidade é necessário e faz bem.

Beijos da autora que vos escreve: estagiária obrigatória e não assalariada, que acha que usar shortinho e top é para quem quiser, come esfihas e adora ser amadora. :)