O poder da vulnerabilidade.

Recentemente uma leitora me sugeriu que assistisse uma palestra da pesquisadora Brene Brown sobre vergonha e vulnerabilidade. Disse que eu iria reservar para assistir quando pudesse, e que depois contava minhas impressões.

Pois sim, te conto Raquel: que fiquei maravilhada.

Eis o vídeo, e garanto que vale muito a pena investir a sua atenção nesses 20 minutos.

 

É uma conversa sobre a coragem de ser imperfeito. E sobre como isso é importante.

Fiquei chocada ao perceber que eu tive a mesma epifania que ela está narrando no vídeo (ela chama de “breakdown” ou segundo terapeutas, “despertar espiritual”)

Seja epifania, crise, despertar espiritual ou qualquer que seja o nome da experiência… Eu compreendi.

Compreendi que precisamos parar de tentar controlar e prever tudo o que nos circunda.

Compreendi a dinâmica do grande paradoxo que é as coisas se organizarem quando abandonamos o desejo de controlar.

Compreendi que não poderemos ser gentis com as pessoas ao nosso redor, se não formos gentis com nós mesmos.

Compreendi que a aceitação é a chave do empoderamento. Pois nos leva a um estado de vulnerabilidade… e a vulnerabilidade é mãe de todos os processos transformadores e criativos.

Essa é uma figurinha que eu vi circulando na internet um dia desses:

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(Regra nº1: seja gentil com os outros. Regra nº2: seja gentil com você mesm@. Você não é fei@. Você não é burr@. Você é demais!)

E até comentei, na ocasião,  que eu inverteria as regras. Primeiro você se respeita, se ama, se acolhe… E em seguida poderá ser amável com os demais.

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(versão do NSE para as regrinhas!)

Levando o conceito para a nutrição, quando nosso hábito alimentar é transtornado, esse comportamento está ocultando questões muito mais profundas que não queremos encarar de frente.

A maneira como comemos diz muito sobre nós. Sobre nossos desejos, aspirações, posicionamentos e sofrimentos. Se comemos, jejuamos ou vomitamos problemas, estamos na realidade comendo, jejuando ou vomitando a nossa impotência e perplexidade diante das circunstâncias da vida.

Este cachorro que NÃO consegue lidar com a quantidade de jujubas na frente dele.

(a VIDA é como um prato de jujubas: como LIDAR?)

Fui tocada pela fala de Brene de modo particular pois há tempo eu decidi “dar a cara para bater” neste Blog, nas redes sociais e dando palestas. Fiz a escolha de me posicionar contra “grandes verdades” estabelecidas e supostamente inquestionáveis. E como consequência sou muito combatida, ridicularizada e incompreendida. Faz parte.

Quando criei este pequeno espaço virtual, com o intuito único de ter um espaço para escrever sobre algumas impressões sobre a vida (talvez eu seja uma espécie de cronista?), eu dei um tiro no escuro. Eu não sabia que aquela pequena página no WordPress, com 1 visitante (eu) iria chegar tão longe. Eu não sabia, não poderia imaginar, que iria conhecer tanta gente maravilhosa, receber depoimentos tão emocionantes, ser convidada para tantos eventos interessantes… E nem nos mais delirantes sonhos eu havia me visto lidando com “hatemail”, difamação e com críticas duras, diretas, quase que diárias. Sim, eu recebo muitos golpes duros. Tem muita gente me dizendo coisas indelicadíssimas “na lata” e isso faz parte do crescimento.

Vou dizer que é fácil? Não. Vou dizer que não dói? Não. Vou dizer que não dá vontade de desistir e fazer tudo quietinha e conforme as regras para não me indispor? Não.

Estou numa posição vulnerável a cada post que publico? Sim. Muito.

Mas não me arrependo. Como foi dito no vídeo, fica o conselho que eu acredito ser válido e que já conhecia antes de ter assistido a palestra:

- É importante estar disposto a ser visto. Se expor. Ser genuíno. Com todas as suas convicções e defeitos. Mesmo que não agrade. Mesmo que ocasione um bombardeio.

- Amar muito quem você é, o que você acredita e o que você faz. Ser fiel à sua essência.

- Fazer um exercício de gratidão e procurar encarar as coisas com alegria.

É ter a plena certeza de que, mesmo que não seja super-human@, você é absolutamente suficiente.

É fácil? Não. É simples? Não. Para mim, nem para ninguém.

Mas acredito ser o caminho. :)

Você que me lê, seja você quem for, acredite profundamente nessa verdade:

Você é imperfeito, porém merecedor de amor e pertencimento.